Foram seis anos.
Esse é o tempo que o Brasil levou para não resolver uma das maiores disputas tributárias da sua história recente.
E agora, quando o julgamento finalmente parece se aproximar do fim, até o próprio governo federal passou a se movimentar para tentar impedir o desfecho.
O valor em jogo é concreto: R$40 bilhões. Não é tese acadêmica. É caixa real das empresas de serviços brasileiras.
O que está em julgamento: ISS na base do PIS/Cofins
Em 2017, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins.
O fundamento foi simples: tributação em cascata é confisco.
Os contribuintes venceram.
Mas em 2019, o então presidente do STF, Dias Toffoli, afirmou que o ISS seria diferente do ICMS, abrindo um novo julgamento.
Foi ali que começou uma novela que nem telenovela sustenta.
A máquina de adiar: como seis anos se perderam
A cronologia do caso revela um padrão preocupante:
- Agosto de 2020: Celso de Mello vota a favor da exclusão do ISS. Toffoli pede vista. Julgamento suspenso.
- Agosto de 2021: Placar em 4×4. Luiz Fux pede destaque. Tudo para.
- Três anos se passam sem avanço.
Em agosto de 2024, o julgamento volta ao plenário presencial.
André Mendonça vota a favor da exclusão do ISS. O placar vai a 5×5. Falta apenas Fux, que já havia votado a favor do contribuinte no julgamento do ICMS em 2017.
Vitória à vista.
Mas a sessão é suspensa. Desde então: silêncio.
Manobra institucional: quando o processo vira estratégia
Em setembro de 2024, a Advocacia-Geral da União ajuíza uma Ação Direta de Constitucionalidade (ADC).
Objetivo declarado: unificar todos os julgamentos sobre inclusão ou exclusão de tributos da base do PIS/Cofins.
Objetivo real: recomeçar tudo do zero.
Quatro ministros que já haviam votado se aposentaram.
Se o julgamento fosse reiniciado, três dos cinco votos favoráveis desapareceriam.
Não é interpretação jurídica. É gestão de resultado.
Por que esse julgamento afeta todas as empresas de serviços
O tema não é restrito a grandes grupos.
Ele afeta todas as empresas de serviços do Brasil, como:
- consultorias;
- agências de publicidade;
- empresas de engenharia;
- limpeza e conservação;
- vigilância e segurança;
- tecnologia e prestação intelectual em geral.
Todas essas atividades pagam ISS sobre valores que já sofreram tributação federal, criando uma cadeia de incidência que comprime margens e distorce preços.
Segundo estimativas do próprio governo, uma vitória dos contribuintes obrigaria a devolução de cerca de R$37 bilhões em tributos pagos indevidamente.
Em um cenário de busca agressiva por arrecadação, esse valor virou um problema político.
O voto que decide e o risco da modulação
O voto de André Mendonça trouxe um alerta adicional: a modulação dos efeitos.
Na prática, significa reconhecer o direito do contribuinte, mas limitar o impacto financeiro retroativo.
É o clássico “ganha, mas não leva”.
Se houver modulação, os R$37 bilhões podem virar R$10 bilhões diluídos ao longo de anos, sem efeito relevante de caixa imediato para as empresas.
É uma prática recorrente: quando o Estado perde, o prejuízo é parcelado.
Quando o contribuinte perde, o efeito é imediato.
O que esse caso revela sobre o sistema tributário brasileiro
Independentemente do desfecho, o episódio deixa um recado claro:
- seis anos de insegurança jurídica;
- uso do tempo como instrumento arrecadatório;
- modulações que transformam vitórias em derrotas;
- decisões fiscais guiadas por impacto orçamentário, não por coerência sistêmica.
O contribuinte, mais uma vez, paga a conta da desorganização fiscal brasileira.
Isso não é exceção. É padrão.
O que as empresas precisam fazer agora
Enquanto o Judiciário decide ou adia, empresas não podem operar na esperança.
Teses tributárias relevantes exigem:
- acompanhamento técnico contínuo;
- avaliação de risco e provisionamento correto;
- estratégia de recuperação de créditos;
- governança fiscal preparada para qualquer cenário.
Por que contar com a BMS Consultoria Tributária
A BMS Consultoria Tributária atua exatamente nesse ponto crítico: transformar incerteza jurídica em decisão estratégica.
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- análise técnica de teses tributárias relevantes;
- estruturação segura de créditos fiscais;
- avaliação de impacto financeiro e contábil;
- governança tributária preventiva e defensiva.
Em um sistema que muda as regras durante o jogo, improvisar custa caro.
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