A saída parcial de uma das maiores fabricantes de moda íntima do Brasil para o Paraguai reacendeu um debate urgente: a indústria brasileira está perdendo competitividade por causa da pressão tributária.
A seguir, veja como mudanças recentes na legislação e no cenário competitivo estimularam a decisão e o que isso sinaliza para o setor.
1. A pressão tributária que desencadeou o movimento
A mudança decisiva veio com a Lei 14.789/2023, que alterou a tributação sobre incentivos fiscais de ICMS concedidos por estados.
Antes:
✔️ incentivos estaduais reduziam carga tributária total
✔️ muitos setores dependiam desses benefícios para manter margens competitivas
Depois da lei:
❌ a União passou a tributar os incentivos, reduzindo drasticamente sua eficácia
❌ empresas viram sua estrutura de custos subir de forma imediata
❌ setores industriais ficaram mais expostos à concorrência internacional
Esse aumento tributário foi apontado como gatilho para a realocação parcial da produção para outro país.
2. Por que o Paraguai se tornou uma alternativa
Com o avanço dos custos no Brasil, o Paraguai surgiu como opção estratégica. Entre os benefícios estão:
- Economia operacional estimada em 28%;
- Energia mais barata;
- Regime tributário simplificado;
- Mão de obra competitiva;
- Ambiente regulatório mais previsível.
A nova unidade em Ciudad del Este recebeu R$ 30 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 20 milhões de pares por ano, empregando mais de 100 pessoas.
3. Concorrentes internacionais já ocupam espaço
Outro fator que acelerou a mudança foi o avanço de fabricantes asiáticos instalados no Paraguai, que conseguem:
- produzir com custo muito menor
- importar para o Brasil com vantagens
- oferecer produtos competitivos mesmo sem investir em marca
Ou seja, se os concorrentes conseguem entrar no mercado nacional com custos mais baixos, empresas brasileiras precisam igualar condições para não perder espaço.
4. A indústria têxtil brasileira está sob forte risco
Mesmo liderando o mercado nacional, o impacto tributário coloca em risco:
- margens de lucro
- manutenção de plantas produtivas no Brasil
- capacidade de investimento em inovação
- retenção de empregos industriais
Esse caso simboliza uma tendência que já está acontecendo: empresas migrando parte da produção para países vizinhos para manter competitividade.
5. Diversificação e inovação continuam
Apesar dos desafios tributários, a empresa segue:
- ampliando portfólio;
- reforçando atuação no setor esportivo;
- lançando novos produtos, como o primeiro tênis próprio;
- investindo em tecnologia e expansão comercial.
Isso mostra que, mesmo diante das dificuldades internas, a estratégia de crescimento permanece ativa.
6. O recado para a indústria brasileira
O movimento para fora do país não é pontual, é sinal de que o peso da carga tributária e a complexidade regulatória estão ultrapassando os limites.
Empresas brasileiras precisam agir rapidamente:
- revisar estruturas tributárias;
- reavaliar centros produtivos;
- buscar modelos mais eficientes;
- antecipar impactos da Reforma Tributária;
- adotar estratégias de redução de riscos fiscais.
A competitividade industrial depende disso.
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