O Brasil dá um passo relevante na agenda de proteção à primeira infância e equilíbrio nas relações de trabalho.
A presidência sancionou a nova lei que amplia a licença-paternidade de 5 para até 20 dias, além de criar o salário-paternidade, um benefício previdenciário inédito no país.
A medida impacta diretamente empresas, profissionais de RH, contadores e milhões de trabalhadores, incluindo MEIs, autônomos e segurados especiais.
O que muda com a nova licença-paternidade
A principal mudança é a ampliação gradual do período de afastamento do pai após o nascimento, adoção ou guarda da criança.
O cronograma será o seguinte:
- 2027: 10 dias de licença;
- 2028: 15 dias de licença;
- 2029: 20 dias de licença.
Durante esse período, o trabalhador terá:
- garantia de emprego;
- manutenção da remuneração;
- proteção contra demissão desde a comunicação até um mês após o retorno.
A medida fortalece o papel do pai nos primeiros dias de vida da criança e amplia a corresponsabilidade familiar.
Salário-paternidade: como funciona o novo benefício
Outro avanço importante é a criação do salário-paternidade, vinculado ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
Na prática, o benefício garante renda durante o período de afastamento, inclusive para trabalhadores fora do regime CLT.
Quem terá direito:
- empregados com carteira assinada;
- microempreendedores individuais (MEIs);
- trabalhadores domésticos;
- autônomos e contribuintes individuais;
- segurados especiais.
Como será o pagamento:
- pode ser feito diretamente pelo INSS;
- ou pela empresa, com compensação tributária;
- segue lógica semelhante ao salário-maternidade.
O valor varia conforme o perfil:
- integral para empregados;
- proporcional à contribuição para autônomos e MEIs;
- equivalente ao salário mínimo para segurados especiais.
Ampliação de direitos: adoção, guarda e situações especiais
A nova legislação também amplia o alcance da licença-paternidade para diferentes configurações familiares.
Estão contemplados:
- pais adotantes (adoção unilateral ou conjunta);
- responsáveis legais;
- casos de ausência materna no registro;
- falecimento de um dos genitores.
Além disso:
- o período pode ser prorrogado em caso de internação da mãe ou do bebê;
- pode haver ampliação quando o pai assume integralmente os cuidados;
- há aumento de 1/3 da licença em casos de crianças com deficiência.
Impactos para empresas e área de RH
Para empresas, a nova lei exige adaptação imediata em processos de gestão de pessoas, folha e compliance trabalhista.
Entre os principais impactos:
- atualização de políticas internas de licença;
- adequação da folha de pagamento;
- integração com obrigações do eSocial;
- planejamento de substituições temporárias;
- revisão de custos trabalhistas indiretos.
Além disso, a medida reforça uma tendência global: empresas que investem em políticas de cuidado tendem a ter:
- maior retenção de talentos;
- melhora no clima organizacional;
- aumento de produtividade no médio prazo.
Licença-paternidade e transformação no mercado de trabalho
A ampliação da licença-paternidade vai além do aspecto jurídico.
Ela reflete uma mudança estrutural no mercado de trabalho e na sociedade:
- maior equilíbrio na divisão de responsabilidades familiares;
- incentivo à participação ativa dos pais;
- avanço na agenda de igualdade de gênero;
- fortalecimento dos vínculos familiares.
A medida também tem um papel cultural ao incentivar a participação masculina no cuidado com os filhos.
O que as empresas precisam fazer agora
Com a nova legislação, empresas devem agir de forma preventiva para evitar riscos trabalhistas e operacionais.
Entre as ações recomendadas:
- revisar políticas de RH e compliance;
- ajustar sistemas de folha e benefícios;
- treinar equipes sobre as novas regras;
- integrar áreas fiscal, trabalhista e previdenciária;
- acompanhar a regulamentação prática do benefício.
Empresas que se anteciparem terão mais controle sobre custos e evitarão passivos futuros.
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