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A conta que não para de chegar: recorde de arrecadação não é vitória

A conta que não para de chegar: recorde de arrecadação não é vitória

R$ 2,9 trilhões em arrecadação. Um recorde histórico.

O governo comemorou como se tivesse levantado uma taça. Mas, no Brasil de hoje, recorde de arrecadação não é troféu. É confissão.

Confissão de que o Estado não consegue se sustentar sem apertar o torniquete do contribuinte ano após ano.

Quando a arrecadação cresce mais rápido do que a economia real, o sinal não é de eficiência. É de dependência.

O aumento silencioso de impostos desde 2023

Desde janeiro de 2023, 33 medidas aumentaram ou criaram tributos no Brasil. Uma 34ª já está a caminho.

A lista é extensa e transversal:

  • ICMS, PIS e COFINS sobre combustíveis;

  • Ampliação do IOF;

  • Reoneração da folha de pagamento;

  • Fim do PERSE;

  • Tributação de offshores;

  • Criptoativos, apostas, operações financeiras;

  • Impactos diretos no varejo, indústria, crédito, tecnologia e comércio exterior.

A pergunta inevitável é simples: qual setor ficou de fora?

Nenhum.

Quando todos pagam mais ao mesmo tempo, isso não é reforma. É cerco.

Justiça fiscal ou aumento generalizado da carga tributária?

O discurso oficial fala em justiça fiscal, correção de distorções e fim de privilégios. Em medidas pontuais, pode até haver argumentos defensáveis.

Mas quando o ajuste recai sobre todos os setores, simultaneamente, o efeito é outro: compressão de margens, perda de competitividade e redução da capacidade de investimento.

O Brasil já figura entre os países com maior carga tributária entre as economias emergentes. Ainda assim, os serviços públicos seguem aquém do mínimo esperado:

  • Saúde precária;

  • Educação com baixo desempenho;

  • Infraestrutura insuficiente.

A equação não fecha e não vai fechar, porque o problema não é a arrecadação. É gasto.

Reforma tributária e um IVA entre os maiores do mundo

Nesse cenário, surge a reforma tributária do consumo com um IVA estimado em 28%, um dos mais elevados do planeta.

O ciclo se repete:

  • Mais arrecadação;

  • Mesmo discurso;

  • Nenhum enfrentamento estrutural do gasto público.

Enquanto o contribuinte corre para pagar a parcela do leão, não sobra energia para perguntar o que ele faz com tudo o que devora.

Debates essenciais seguem fora da mesa: eficiência do Estado, produtividade, burocracia, insegurança jurídica e estrutura administrativa inchada.

A conta vai continuar chegando

Em 2026, o número será maior. O discurso será o mesmo.

Equilibrar as contas públicas é necessário. Ninguém discute isso.
O que se pede é honestidade fiscal: enfrentar o gasto com a mesma intensidade com que se enfrenta o contribuinte.

Do contrário, a conta continuará chegando, silenciosa, recorrente e cada vez mais alta.

E o empresário sabe disso melhor do que ninguém.

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