Os primeiros impactos da reforma tributária já começam a preocupar setores estratégicos da economia brasileira, especialmente a infraestrutura.
Mesmo antes da implementação completa do novo sistema, empresas de saneamento, rodovias e aviação já projetam aumento de custos que podem ser repassados ao consumidor final.
Na prática, isso significa um cenário de possível alta em:
- tarifas de água e esgoto;
- pedágios;
- passagens aéreas.
A pergunta que surge é direta: quem vai absorver o custo da reforma tributária?
Como a reforma tributária impacta o setor de infraestrutura
Com o início do período de transição, a nova lógica de tributação baseada em IBS e CBS começa a substituir o modelo atual.
Embora a legislação preveja mecanismos de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos, empresas do setor alertam que:
- o aumento da carga tributária é imediato;
- o reequilíbrio pode levar tempo;
- o repasse ao consumidor tende a ser inevitável.
Esse descompasso entre custo e recomposição contratual é o principal ponto de tensão.
Saneamento pode ter aumento médio de 18% nas tarifas
O setor de saneamento é um dos mais impactados.
Antes da reforma, o segmento operava com uma carga tributária reduzida, em torno de 9,24%, sem incidência de tributos como ISS, ICMS e IPI.
Com a nova estrutura, a carga pode chegar a aproximadamente 26,5%.
A consequência direta, segundo estudos do setor, é:
- aumento médio de 18% nas tarifas de água e esgoto;
- impacto mesmo em tarifas sociais (cerca de 6% de alta);
- risco de aumento da inadimplência e cortes de serviço.
Outro efeito colateral é relevante: para evitar repasse ao consumidor, seria necessário reduzir investimentos em até 26%, justamente em um momento em que o Brasil busca universalizar o saneamento até 2033.
Reequilíbrio contratual pode gerar insegurança jurídica
A reforma prevê que aumentos de custo sejam compensados por meio do chamado reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos.
No entanto, há um problema prático.
A responsabilidade pela análise e aprovação desse reequilíbrio não será centralizada, ficando a cargo de diferentes agências reguladoras estaduais.
Isso pode gerar:
- demora nos processos;
- decisões inconsistentes;
- aumento da insegurança jurídica;
- atraso em investimentos.
Para um setor intensivo em capital como infraestrutura, a previsibilidade é essencial.
Pedágios mais caros: impacto direto nas concessões rodoviárias
No setor rodoviário, o impacto tende a ser mais visível em contratos já existentes.
Isso porque:
- o aumento da carga tributária eleva o custo das concessionárias;
- o reequilíbrio contratual pode resultar em reajuste de tarifas.
Ou seja, o efeito mais imediato para o usuário pode ser pedágios mais caros.
Já em contratos novos, esse impacto tende a ser menor, pois os custos já podem ser incorporados desde o início.
Aviação: passagens mais caras e risco de redução de rotas
O setor aéreo também enfrenta pressão relevante.
Hoje, o ICMS sobre o querosene de aviação (QAV) tem peso significativo, cerca de 40% do custo total das companhias aéreas.
Com a reforma:
- a alíquota pode subir de cerca de 15% para até 27,5%;
- incentivos fiscais estaduais deixam de existir;
- estados teriam que subsidiar diretamente, algo pouco provável.
As consequências esperadas incluem:
- aumento no preço das passagens;
- redução da demanda;
- corte de rotas menos rentáveis;
- maior concentração de voos em regiões mais lucrativas (Sul, Sudeste e Brasília).
Regiões como Norte, Nordeste e Centro-Oeste podem ser as mais afetadas.
Reforma tributária: impacto neutro para empresas, mas não para o consumidor
Do ponto de vista das concessionárias, muitos especialistas defendem que o impacto tende a ser neutralizado via contratos.
Mas isso não significa ausência de impacto econômico. Na prática, o custo não desaparece, ele é transferido.
E o principal destino desse repasse é o consumidor final.
O grande risco: aumento de custos sem ganho de eficiência
A reforma tributária tem como objetivo simplificar o sistema.
No entanto, no curto prazo, o que se observa em setores regulados é:
- aumento de carga tributária;
- necessidade de renegociação contratual;
- risco de redução de investimentos;
- pressão sobre preços ao consumidor.
Sem ganhos claros de eficiência no curto prazo, o impacto tende a ser percebido diretamente no bolso da população.
O que empresas podem fazer diante desse cenário
Empresas que operam em setores impactados pela reforma precisam agir com antecedência.
Algumas medidas estratégicas incluem:
- revisão da estrutura tributária atual;
- simulação de impacto do novo modelo (IBS e CBS);
- análise de contratos e cláusulas de reequilíbrio;
- planejamento financeiro para absorção de custos no curto prazo;
- identificação de oportunidades de recuperação tributária.
Antecipação, neste cenário, deixa de ser vantagem e passa a ser necessidade.
Como a BMS apoia empresas na adaptação à reforma tributária
A BMS Consultoria Tributária atua na preparação de empresas para o novo sistema tributário, com foco em:
- análise de impacto da reforma por setor;
- simulação de cenários de carga tributária;
- revisão de créditos e oportunidades fiscais;
- estratégias para proteção de margem e geração de caixa.
Com mais de 17 anos de atuação, a BMS já recuperou mais de R$9 bilhões para mais de 3.800 empresas.
Prepare sua empresa para os impactos da reforma tributária
A reforma tributária já começou a gerar efeitos práticos e os setores de infraestrutura são apenas os primeiros a sentir.
Empresas que se anteciparem terão mais controle sobre custos, contratos e margens.
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