O Brasil discute quanto cobrar do futuro antes de decidir qual futuro quer construir.
Simplificar impostos é necessário. Mas uma reforma tributária também precisa ser analisada pelo país que ajuda a construir.
E três setores mostram o tamanho dessa discussão: data centers, saneamento e aviação.
Data centers: energia precisa virar inteligência
O Brasil tem uma matriz elétrica predominantemente renovável. É uma vantagem competitiva para atrair infraestrutura digital.
Mas data center não é investimento de curto prazo.
Em carta aos acionistas, Andy Jassy, CEO da Amazon, mencionou estruturas com vida útil superior a 30 anos.
Quando o investimento é pensado para décadas, a previsibilidade deixa de ser detalhe.
A MP do Redata perdeu validade em fevereiro, enquanto o projeto que retoma os incentivos avançou no Senado em setembro.
Houve avanço, mas incentivar a compra de equipamentos não substitui uma estratégia capaz de transformar energia competitiva em tecnologia, infraestrutura e produção de conhecimento no Brasil.
Saneamento: saúde começa antes do hospital
Em 2024, quase 3 em cada 10 lares brasileiros não tinham ligação à rede geral de esgoto, segundo o IBGE.
A Reforma prevê redução de 60% nas alíquotas aplicáveis a determinados serviços de saúde e educação. O saneamento não recebeu a mesma redução setorial.
Existe também a devolução de tributos para famílias elegíveis.
É relevante, mas devolver imposto na conta não leva o cano até a casa que ainda não tem rede.
Se reconhecemos o valor de tratar a doença, por que não dar o mesmo peso estratégico à infraestrutura que ajuda a evitá-la?
Aviação: o hotel começa na passagem
Hotelaria e aviação regional receberam redução de 40% nas alíquotas.
Ainda assim, a ALTA projetou, em cenário estudado, uma alta de 16,1% nas passagens domésticas.
É uma estimativa, não um reajuste determinado pela legislação.
Mas o raciocínio econômico importa.
Se viajar fica menos acessível, o impacto não termina na companhia aérea. Pode chegar à pousada, ao restaurante, ao transporte local e ao guia turístico.
Beneficiar o destino resolve quanto, se chegar até ele fica mais difícil?
O problema está nas conexões
A Reforma Tributária não deveria ser analisada apenas pela soma de benefícios concedidos a cada setor.
É preciso olhar para as conexões.
Data centers dependem de energia e infraestrutura.
Turismo depende de transporte e hospedagem.
Saúde depende de hospitais, mas também de saneamento.
O resultado de uma política setorial pode aparecer em outro setor.
É por isso que empresas também precisam fazer essa análise de forma individual. Créditos, contratos, preços, fornecedores e investimentos não respondem à média do mercado.
Respondem à estrutura específica de cada negócio.
FAQ – Perguntas frequentes
A Reforma Tributária deve ser avaliada apenas pela carga tributária?
Não. Além da carga, é importante analisar efeitos sobre investimento, infraestrutura, produtividade, acesso e competitividade.
Por que data centers são estratégicos para o Brasil?
Porque o país possui uma matriz elétrica predominantemente renovável, o que pode ser uma vantagem para investimentos em infraestrutura digital. A questão envolve também previsibilidade e capacidade de transformar essa infraestrutura em desenvolvimento tecnológico.
Por que o saneamento aparece na discussão tributária?
Porque decisões tributárias sobre setores essenciais podem afetar investimentos e custos de infraestrutura que possuem impacto direto sobre saúde e qualidade de vida.
Uma redução de imposto garante que um setor ficará mais barato?
Não necessariamente. O preço final depende de toda a cadeia, dos custos, da demanda, dos investimentos e de outras variáveis econômicas.
Conclusão
O Brasil não pode tratar potencial como se fosse resultado.
Uma Reforma Tributária pode simplificar o sistema e, ao mesmo tempo, produzir efeitos diferentes sobre investimento, infraestrutura, acesso e produtividade.
Por isso, a pergunta não deveria ser apenas:
“Quanto cada setor vai pagar?”
Também precisamos perguntar:
“Que tipo de economia essas escolhas ajudam a construir?”
O ponto cego está em analisar setores isoladamente e perder de vista suas conexões.
- Porque infraestrutura sustenta inovação.
- Saneamento sustenta saúde.
- Transporte sustenta turismo e circulação de renda.
Reforma Tributária também é uma discussão sobre o país que queremos construir.
Como a BMS atua
A BMS analisa os impactos da Reforma Tributária considerando a realidade específica de cada empresa, seus créditos, contratos, preços, operações e cadeia de fornecedores, transformando a mudança tributária em uma agenda de diagnóstico e tomada de decisão.
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